Maria Elizete Kunkel, PhD em Biomecânica

Maria Elizete Kunkel, PhD em Biomecânica

Tudo começou com um carpinteiro africano chamado Richard van As, em 2011, que perdeu 4 dedos de uma mão e criou um modelo de prótese de baixo custo. Decidiu ampliar seu feito, fundou a Robohand e conheceu pela internet o designer americano Ivan Owen. Os dois criaram a e-Nable, uma comunidade mundial que disponibiliza na internet gratuitamente seus modelos de próteses. Nesse mesmo tempo, a PhD em Biomecânica, Maria Elizete Kunkel, 45, conheceu a história dos dois, fez download do modelo na internet e imprimiu sua primeira prótese.

“Nós fizemos uma versão, ficou muito boa e vi naquela impressão um potencial de desenvolver uma pesquisa mais detalhada, em relação às demais próteses e com o tempo pensar num projeto social, que pudesse atender uma parte da população no Brasil”, explica a professora.

O projeto Mao3D

Em 2014, o projeto virou um programa de extensão na Universidade Federal de São Paulo, em São José dos Campos, liderado por Elizete.

“A estrutura reúne pessoas, software, hardware, e todo um laboratório que possa ser usado para a produção das próteses, que conta com o apoio de alunos, voluntários e profissionais liberais”, explica.

O Mao3D tem o objetivo de protetizar e reabilitar crianças e adultos, da Região do Vale do Paraíba, com malformação ou amputação dos braços, mãos ou dedos, com próteses feitas por impressão 3D, como contam na sua página do facebook.
Uma prótese convencional adquirida em países como Alemanha, Suíça ou Inglaterra custa em média 200 mil reais e 90% dos protetizados a abandonam por falta de adaptação. Já a prótese impressa demora em torno de 15 a 24 horas, de acordo com o modelo ou tamanho. O processo de adaptação com a prótese é muito individual para cada pessoa. Os pesquisadores do grupo acompanham esse paciente durante todas as fases. Por se tratar de um modelo novo, a reabilitação é essencial para não frustrar o usuário.

Prova de prótese feita em uma impressora 3D

Doação da Impressora 3D Stella

Thiago Peixoto, CEO da Boa Impressão 3D, conheceu o projeto em 2015, e junto dos seus sócios, doaram uma impressora 3D Stella no crowdfunding que o projeto Mao3D criou.

“Na campanha tinha um percentual dedicado a aquisição de impressoras 3D e vimos a oportunidade direta de ajudar o projeto e doamos. Entramos em contato, viabilizamos a doação e de lá para cá tem sido só sucesso. Nós divulgamos mutuamente as iniciativas nas redes sociais, e isso só tem rendido bons frutos”, conta Thiago.

Atualmente, o Mao3D faz próteses de membros superiores e apenas para crianças, mas há mais de 20 projetos sendo desenvolvidos, como prótese de orelha, órtese de mão, órtese de punho, etc. A impressora 3D Stella é usada em todas as fases de desenvolvimento das próteses e também nesses projetos interligados. Elizete conta que de todas as impressoras no laboratório, a impressora 3D Stella é a mais simples de usar, de passar o treinamento pros alunos e tem sido com menor erro de impressão.


Thabata Ganga, 23, Engenheira Biomédica e pesquisadora do Mao 3D, sempre gostou de filmes de ficção científica e desejava desenvolver próteses. Optou pelo tema no seu Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC, e viu no projeto uma forma de estudar o que realmente gostava. Participou desde o início do Mao3D, ainda na sua estruturação. Atualmente, é responsável pela manutenção das impressoras e o treinamento de novos operadores.

“Fui a primeira no laboratório a ter contato com a Stella, tirei da caixa, montei, calibrei e imprimi todas as peças do meu TCC. Hoje em dia, a Stella é a impressora mais disputada do laboratório, devido a facilidade de utilização e a qualidade da impressão”, conta.

Não há como negar, o processo de impressão da peça é fascinante. Cada estrutura sendo definida de forma minuciosa chama a atenção no primeiro contato.

“Sou apaixonada por impressão 3D, toda vez que estou imprimindo fico encantada, quando vejo a peça surgir, como se fosse a primeira vez”, complementa Thabata.

Iniciativas como da Boa Impressão 3D, Elizete, Thabata e todos os integrantes do Mao3D mostram que o Brasil deve investir e apoiar projetos que visam a qualidade de vida e o desenvolvimento tecnológico no país.

“A Boa Impressão acredita na força de iniciativas que buscam auxiliar o próximo e isso simplesmente está registrado nos nossos valores e presente nas nossas ações de difundir a impressão 3D por um custo acessível no Brasil, para todas as classes”, enfatiza Thiago.

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